segunda-feira, 30 de julho de 2007

Eu e minhas idéias

Então, eu tive uma idéia que não é necessariamente brilhante, mas até que é boazinha.

Abrir uma pequena locadora, utilizando a garagem da minha casa. A minha coleção de DVD's é ótima, modéstia à parte, e inclui edições especiais duplas e clássicos do cinema.
É, acho que vai ter muita gente querendo alugar.

E assim, se algum amigo meu vier pedir um DVD emprestado, ao invés disso, eu alugo. Mas não se preocupem. Para amigos, eu faço por um preço camarada.

Bem, mas eu quero a opinião de todos sobre isso. Todos - Adryz, Maurício, Anônimo, Andrizy, Paulinha, Julião, Marcos, Flávio, Oswaldo, Cláudio, Tany, Marynna, Clara, meu mais novo amigo on line: Zé Luis e outros.

O que vocês acham, meus amigos? Será um negócio lucrativo? O Kev pirou de vez? Entrem e deixem seus comentários.

sábado, 28 de julho de 2007

Donnie Darko


Acabei de descobrir que Donnie Darko é um dos filmes favoritos da minha querida amiga Andrizy.
Legal saber disso. Eu também gosto do filme, não tanto quanto ela, certamente.

Donnie Darko é a história de um garoto esquizofrênico (Jake Gyllenhaal) que se isola de seus colegas na escola e vive às voltas com um amigo imaginário. Um amigo imaginário muito estranho, por sinal, pois se trata de um coelho gigante.

Numa noite, quando um avião está prestes a cair sobre o telhado do quarto de Darko, o coelho gigante o salva da morte o levando para fora de casa e ainda diz a ele que o mundo acabará em um mês.

Darko se vê confuso em meio à alucinações e questionamentos sobre a vida, morte e o fim do mundo.

Donnie Darko é um drama de terror, com pitadas de ficção científica e permeado por diálogos inteligentes e até algum humor.

Nota-se sobretudo que o diretor Richard Kelly tem muito carinho pelo seu personagem.

Uma das coisas mais interessantes do filme é a exaltação aos anos 80, o que fica bem perceptível na bacana trilha sonora do filme que inclui Joy Division, Duran Duran e o cover de Gary Jules para Mad World da mais que datada banda Tears For Fears.

Donnie Darko é considerado um verdadeiro cult. Por que? assista ao filme, ouça a trilha e descubra o por que. Afinal, o filme todo em si é um grande mistério...

Donnie Darko (EUA, 2001)
Suspense/Drama/Ficção.
Direção e roteiro: Richard Kelly
Elenco: Jake Gyllenhaal, Holmes Osborne, Maggie Gyllenhaal, Daveigh Chase, Mary McDonnell, Drew Barrymore, Patrick Swayze, Jena Malone.

"Mad World" - Gary Jules
Donnie Darko Soundtrack


All around me are familiar faces
Worn out places, worn out faces
Bright and early for their daily races
Going nowhere, going nowhere
Their tears are filling up their glasses
No expression, no expression
Hide my head I want to drown my sorrow
No tomorrow, no tomorrow

And I find it kinda funny
I find it kinda sad
The dreams in which I'm dying
Are the best I've ever had
I find it hard to tell you
I find it hard to take
When people run in circles
It's a very, very mad world mad world

Children waiting for the day they feel good
Happy Birthday, Happy Birthday
Made to feel the way that every child should
Sit and listen, sit and listen
Went to school and I was very nervous
No one knew me, no one knew me
Hello teacher tell me what's my lesson
Look right through me, look right through me

And I find it kinda funny
I find it kinda sad
The dreams in which I'm dying
Are the best I've ever had
I find it hard to tell you
I find it hard to take
When people run in circles
It's a very, very mad world ... mad world
Enlarge your world
Mad world

quinta-feira, 26 de julho de 2007

2008: Ano dos Nerds



Ano que vem será um bom ano para os nerds. Especialmente aqueles aficionados por quadrinhos. Dá só uma olhada nas adaptações de HQ's que vão invadir as telas em 2008:

  • Homem de Ferro estréia em 2 de maio. Direção de Jon Favreau e no elenco, Robert Downey Jr., Terrence Howard, Gwyneth Paltrow, Jeff Bridges entre outros. Bem, eu estou ansioso, mas tenho uma amiga fã doente e apaixonada do "vingador dourado" que está mais ansiosa que eu. No Favreau, eu confio. No Downey Jr., por que não?

  • The Incredible Hulk tem data prevista de estréia para 13 de junho de 2008. Na direção sai Ang Lee, entra Louis Leterrier. No papel do cientista Bruce Banner que se transforma em um incrível gigante verde e que já pertenceu a Eric Bana no filme de 2003, está Edward Norton. Sinceramente eu não sei... Eu gosto muito do filme do Ang Lee. Apesar de que Leterrier dirigiu Carga Explosiva que não é tão ruim. Mas parece que o Hulk de Lee foi completamente desprezado... E desprezar uma das adaptações de quadrinhos mais sensacionais dos últimos tempos é pura idiotice. O mais triste é que Jennifer Connelly não volta como Betty Ross. Em seu lugar, a eterna Princesa Arwen de O Senhor dos Anéis, Liv Tyler.

  • Batman - The Dark Knight estréia em 18 de julho de 2008. Novamente na direção Christopher Nolan e no elenco, além de Christian Bale como o melancólico Cavaleiro das Trevas, estão Heath Ledger e Aaron Eckhart, como os vilões Coringa e Duas Caras, repectivamente.

  • Hellboy 2, de longe um dos filmes que eu estou mais ansioso pra ver, terá mais uma vez na direção o excelente Guillermo Del Toro e estreiará dia 1 de agosto. No elenco Ron Perlman e Selma Blair, que se mostraram escolhas acertadas de elenco no primeiro filme, repetem seus papéis como Hellboy e Liz Sherman

  • Wolverine, como eu já disse, começa a ser produzido em novembro e estréia já no ano que vem. A pressa deve ser síndrome de X-Men - O Confronto Final. No elenco, óbvio, Hugh Jackman como o famoso mutante adamantizado e que também produz o filme, e direção de Gavin Hood.


    O ano de 2008 promete ser pura diversão e deleite para os HQmaníacos.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Michael Bay - O Cara

Michael Bay é o cara, eu é que não entendo nada de nada!
O primeiro e maior problema de Transformers:
“Do diretor Michael Bay”.

Atualmente, mais do que em quaisquer outros tempos, existem filmes que morrem antes do parto. Vítimas da ambição de produtores poderosos, que acabam com as promessas dos estúdios, contratando diretores burocráticos e medíocres para dirigir filmes que, se realizados com um mínimo de competência, poderiam até garantir uma diversão simples para um público preocupado unicamente em espantar o tédio de um fim de semana invernal.
Filmes leves e divertidos, claro, mas não acéfalos. Algo que Steven Spielberg sabia proporcionar muito bem lá pelos idos dos anos 80. Não seria mal se os filmes atuais fossem pelo menos isso. Mas não são. Hoje o que se vê é um festival de idiotices cinematográficas que não passam de afrontas à inteligência do espectador. E os culpados? Existem muitos. Uma dessas pragas é Jerry Bruckheimmer. Outra? A Fox Film (sim, a própria Fox). Quer mais uma? Ta, vou te dar a pior delas: Michael Bay.
Responsável por pérolas como os dois filmes da série Bad Boys, o clássico Armageddon, o épico Pearl Harbor e outros filmecos estapafúrdios, o grande Michael Bay lançou este ano a sua mais nova abobrinha cinemática: O natimorto Transformers.
O que vemos na tela é o típico festival Michael Bay. O pôr-do-sol... Soldados heróicos em slow motion... Personagens profundos feito uma porta... Máquinas, muitas máquinas, muitas, muitas máquinas... E o melhor: máquinas destruidoras, assassinas, esmagadoras... AHHHHHHHHHHHHH!!! Michael Bay nunca teve um orgasmo maior e mais memorável do que esse. Aliás é bem isso que Transformers representa. Um orgasmo múltiplo de Michael Bay num formato 35 mm. Hummmm....
Mas a verdade é que não adianta nada ficar aqui falando do Michael Bay. O filme já faturou milhões e milhões pelo mundo enchendo de grana os bolsos do Bay. Uma grana que ele poderá usar para financiar seus próximos espetáculos megalômanos e abjetos se acaso o meu sonho se concretizar. O sonho de estúdio nenhum mais aceitar as suas idéias. O sonho de, um dia, os produtores americanos, sem exceção, acordarem pra vida e perceberem que telespectador nenhum gosta de ser tratado como burro. Que só pirotecnia e meia dúzia de atorezinhos bonitinhos que parecem saídos do High School Musical, não são capazes de salvar roteirinhos chulés, mal-feitos, descerebrados. O dia que os produtores perceberem que filmes de ação carecem de conteúdo, de substância. O dia que os produtores perceberem que o público além de querer se divertir, quer ter o prazer de se emocionar, de se deliciar com 2 horas de projeção...
Mas meu sonho não irá pra frente nunca enquanto existir Michael Bay e produtorezinhos nojentos e preocupados apenas com o retorno e enquanto o pessoal continuar a assistir filmes como esse.
Do diretor Michael Bay - Já é razão mais do que suficiente para odiá-lo

A verdade é que Transformers já é um mega sucesso, fortalecido graças a todo hype criado pelos fãs dos carros que viram robôs da década de 80, graças a toda publicidade investida no projeto considerado a promessa do ano, graças a todos aqueles que insistem em transformar mais um filminho imbecil cheio de efeitos especiais em um marco do ano, da década, da nova geração. E ao que parece, conseguiram... Transformers já é considerado o melhor filme de ação do ano.
Existem vários diretores que poderiam fazer os verões americanos mais felizes. Alguns até fazem. O problema é que eles parecem poucos em vista do número de diretores imbecis que existem por aí. Eu gostaria que as produções de verão estivessem todas nas mãos de Singer, Raimi, J.J. Abrams, Favreau (seu Homem de Ferro está prometido pro ano que vem!) até mesmo Brett Ratner, subestimado e ultrajado pela crítica, mas competente e muito melhor que os Bay’s da vida. E tem outros diretores bacanas. Peter Jackson e Zemeckis... será que é pedir demais?
Mas agora o estrago já está feito e o Transformers tem levado cada dia mais público aos cinemas. Um público que deveria estar sentado nas poltronas das salas que estão exibindo Ratatouille ou Harry Potter e a Ordem da Fênix. Mas não.
Em pensar que eu só topei conferir a tortura cinematográfica do ano, porque uma amiga minha não queria ir sozinha a pré-estréia. Sinceramente, eu sou uma anta. O Bay não é.
Talvez eu seja um dos poucos que odeia Transformers. Eu e mais duas amigas minhas, grandes detratoras do diretorzinho mequetrefe.
Sim, porque afinal, Michael Bay é o cara. Eu é que estou errado.

domingo, 22 de julho de 2007

Blockbusters

Os verões americanos costumam ser bastante agitados quando se trata de cinema. Esse ano, por exemplo, a quantidade de filmes arrasa quarteirão não está no gibi. Homem-Aranha 3, Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado, Piratas do Caribe - No Fim do Mundo,13 Homens e Outro Segredo, Shrek 3, Harry Potter e a Ordem da Fênix, Ratatouille... (Não) coincidentemente, a maioria sequência de bem sucedidos longas dos verões passados - à excessão de Ratatouille. E (não) coincidentemente, a maioria é 3ª parte de bem sucedidos longas dos verões passados - à excessão de Harry Potter que já está em seu 5º episódio.
Não que eu esteja falando mal. Homem-Aranha até que é bem divertido, mas em comparação aos outros dois, aí já é outra história. Estranhamente, cada vez que o assisto, eu gosto menos. Mas vou falar melhor disso mais pra frente

Quarteto Fantástico 2 é uma pequena evolução do primeiro para o segundo. Mas isso ainda não quer dizer nada.

Piratas do Caribe... Dizem que é o pior de todos. Bem, se eu já cochilei durante o segundo, foi bom mesmo eu não ter ido ver o terceiro. Pagar pra dormir é foda!

13 Homens e Outro Segredo é a mesma história charmosa do primeiro, mas conserva o humor e os diálogos interessantes do segundo. E o melhor? não tem mais Julia Roberts. Competente, bem realizado, um Al Pacino fora de série... E é isso. Eu também não tinha enormes expectativas.

Shrek todos sabemos que é a conversa de sempre, com seu humor sem graça e personagens nada cativantes. Não sei, na verdade, por que me dei o trabalho de ver esse terceiro. Se o segundo eu esperei sair em DVD e só assisti porque meu priminho insistiu. O mais engraçado é que ele não riu nenhuma vez enquanto esteve acordado. Sim, porque depois da metade ele caiu no sono.

Harry Potter e Ratatouille devem ser os melhores deste verão. O primeiro é o melhor filme da série do bruxinho mais amado de todos os tempos (por enquanto) e o segundo não é a melhor animação da Pixar (a melhor ainda é Toy Story), mas está entre as melhores. Depois do fraco Carros, fiquei com medo que a qualidade da Pixar estivesse caindo.

Transformers, considerado melhor filme do verão, não chega a ser péssimo, mas é ruim.

Mas talvez esse verão esteja um pouquinho melhor que o do ano passado. É certo que 2006 teve gratas suspresas como X-men - O Confronto Final, Superman Returns e Missão Impossível 3. Mas teve os esquecíveis Poseidon, O Código Da Vinci e Piratas do Caribe - O Baú da Morte, mas por outro lado teve o ótimo Miami Vice. Mas foi meio fraco.


E o verão estadunidense desse ano nem terminou e o verão do ano que vem já está agitando. E parece que vai ser melhor do que dos últimos anos. Homem de Ferro em maio, Batman em julho e Wall E, nova animação da Pixar, também pro ano que vem.

Wolverine, primeiro filme derivado da franquia X-Men e tendo como protagonista o mesmo protagonista dos filmes da franquia X-Men (hummm...), o mutante mais querido da Marvel, teve seu diretor anunciado esses dias. É Gavin Hood ganhador do Oscar 2006 de melhor filme estrangeiro por Infância Roubada. As filmagens estão previstas para começar em novembro e o o lançamento do filme deve ocorrer no meio do ano que vem. Pra que tanta pressa? Síndrome de O Confronto Final? Deve ser.


A propósito, já que o assunto é Super Produções, vi o trailler de A Bússola de Ouro (não é mais Bússola Dourada). Nicole Kidman, Eva Green, Daniel Craig... Gosto bastante desse elenco. O filme foi produzido pela New Line, a mesma de O Senhor dos Anéis, mas isso não significa nada, né? Mas o trailler é promissor.


É esperar pra ver.

sábado, 21 de julho de 2007

Milla Jovovich

Eu já devo ter dito algum dia em algum lugar que a Jovovich me desperta sentimentos contraditórios. Linda e carismática, mas não sei como pode alguém com esses atributos ter tanto mau gosto para escolher seus papéis. O fato é que em outubro estréia mais um (?) Resident Evil. Valha-me Deus, pensei que ela já estivesse cansada de pagar mico bancando a heroína depois de Ultravioleta. Pensei errado.
Se você não se importa em jogar seu dinheiro no lixo ou é apaixonado pela bela Milla e está disposto a ver 2 horas de estupidez em 35 mm só por causa da moça, então não perca, em 5 de outubro, Resident Evil 3: A Extinção (Resident Evil 3: Extinction).

Olha a bonitinha da Milla Jovovich pagando mico neste, que pode ser considerado não apenas o pior filme do ano passado, como também a vergonha da década - até o Framboesa de Ouro esqueceu dele -, o sensacional Ultravioleta

Adaptação

Spike Jonze é um dos mais talentosos cineastas de sua geração ao lado de Peter Jackson, Christopher Nollan, Paul Thomas Anderson e outros. Charlie Kaufman é o melhor roteirista dos últimos tempos. Exagero meu? Acho que não. Mas a verdade é que a parceria Jonze & Kaufman rendeu duas pérolas do cinema atual: Quero Ser John Malkovich e Adaptação.
No primeiro eles fazem o telespectador viajar pela mente do ator John Malkovich. No segundo eles tratam do tema da falta de criatividade de um jeito muito peculiar. Sim, do jeito Kaufman e Jonze, ou seja, genialmente amalucado.
Apesar de muitos discordarem de mim, eu acho Adaptação melhor do que Malkovich. Melhor até mesmo que Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças – outro ótimo roteiro assinado por Kaufman.
Adaptação mostra a dificuldade que o roteirista de cinema Charlie Kaufman (Nicolas Cage, no seu melhor papel em muito tempo) tem para adaptar o livro O Ladrão de Orquídeas da escritora Susan Orlean (Meryl Streep) para a telona. Acontece que o livro é inadaptável para o formato cinematográfico por causa de sua linguagem. Kaufman simplesmente não consegue realizar o trabalho e a partir daí acompanhamos os seus delírios diante dessa crise de criatividade.
Por retratar tão bem esse conflito é que o filme me chama tanto a atenção. Cage no papel dos gêmeos Charlie e Donald Kaufman surpreende e emociona como nunca havia feito. Graças a esse filme eu fiz as pazes com Meryl Streep, mas continuei achando-a – e ainda a acho – supervalorizada. Além dos dois, o elenco ainda conta com um excelente Chris Cooper e aparições relâmpagos de John Cusack e Catherine Keener, ambos de Quero Ser John Malkovich.

Adaptações cinematográficas sejam elas de quadrinhos, livros ou seriados, rendem muitas discussões e controvérsias.
Eu, por exemplo, sempre serei suspeito para falar de um filme baseado em quadrinhos, por ser fã do material original. Sou aficionado por HQ’s desde os seis anos de idade. Mas não sou um fã chato que não aceita nenhuma modificação na história, pois sei que às vezes as alterações são convenientes, necessárias e até muito bem vindas para a trama.
No entanto, apesar de não parecer um trabalho fácil, acredito que levar quadrinhos para as telas não é tão difícil quanto adaptar livros. Há muitas semelhanças entre a 7º e a 9º arte: ambas trabalham com texto e imagem. Mas ainda assim são mídias diferentes e nem tudo o que está numa HQ pode ser transposto para um filme. Eu considero qualquer cineasta que assuma um projeto destes, corajoso. Pois ele corre o sério risco de ser amaldiçoado pelos fãs devotos se acaso o filme for uma decepção. Joel Schumacher que o diga.
Agora, livros e cinema são duas coisas completamente diferentes.
Há algum tempo atrás eu li um artigo escrito pelo cineasta iraniano Abbas Kiarostami, onde ele falava o que ele não gosta no cinema. Palavras do próprio: Não gosto quando ele (o cinema) se limita contar uma história ou quando se torna um substituto da literatura.
Concordo. Cinema não é simplesmente contar uma história. Construções de cena, boas imagens, cuidado com a fotografia, com cenários... é tudo isso e mais um pouco que um verdadeiro apreciador de cinema espera de qualquer filme.
Narrar uma história é a função de um escritor de livros. A função de um cineasta é muito maior.

Adaptar um livro deve ser uma tarefa árdua. Um pepino dos grandes.
O diretor que assumir esse compromisso precisa ter respeito ao material de origem; criatividade para elaborar cenários e seqüências que retratem bem em imagens o que é apresentado em palavras no livro; e entender o universo descrito, os personagens e situações contidas nas páginas do dito cujo. No mínimo. Parece óbvio, não?

Peter Jackson mostrou muito mais do que isso em O Senhor dos Anéis. A trilogia do anel é sinônimo de realização inspirada, de carinho às personagens bem como a toda a mitologia criada por Tolkien. O Senhor dos Anéis é reflexo de dedicação, criatividade, talento, seriedade, comprometimento e amor por parte de toda a equipe que trabalhou nesses três grandes filmes.
Peter Jackson é um verdadeiro cineasta. Um cara que merece essa designação, como poucos nesses tristes tempos de diretores pretensiosos, insossos e estúdios capitalistas.
Belos cenários, efeitos deslumbrantes, fotografia primorosa, magnífica direção de arte, ótimo trabalho por parte do elenco, do pessoal da sonoplastia, enfim. Uma verdadeira perfeição. Da concepção ao resultado, Jackson preocupou-se com cada fotograma, cada detalhe...
O Senhor dos Anéis é uma das mais sagradas adaptações com toda certeza. Houve alterações quanto aos livros? Claro, mas todas vieram em benefício dos filmes.
Por essas e outras costumo dizer que Peter Jackson é o mais cinematográfico dos diretores da atualidade.

Nem todos os fãs concordam comigo. Muitos reclamam das alterações feitas. Reclamam principalmente de As Duas Torres, segunda parte da trilogia. A mesma coisa acontece com os fãs dos livros do Harry Potter que não aprovaram totalmente O Prisioneiro de Azkaban, quarto filme baseado no bruxinho criado pós J.K. Rowling.
Sinceramente é um dos melhores filmes da série. Fica atrás somente de A Ordem da Fênix, o último filme que estreou esses dias e eu adorei. Isso é o que penso agora. Na verdade, saí muito entusiasmado do cinema depois de assistir A Ordem da Fênix, mas vamos ver se depois de uma revisão eu vou continuar achando que este é o melhor dos Potter, afinal O Prisioneiro de Azkaban é um filme que quanto mais assisto mais me encanta.
Não sou exatamente um fã de Harry Potter. Mas li todos os livros e no quesito adaptação, talvez o melhor seja o quinto filme, O Cálice de Fogo. Mas as modificações feitas em O Prisioneiro... não me incomodam, pois enriqueceram a história, cinematograficamente falando.

O Código Da Vinci , baseado no livro homônimo, é que deve ter feito a alegria dos ardorosos fãs da bilionária literatura de Dan Brown. O filme está à altura do original. Isso é positivo? Sim e não. Sim para os fãs. Não para mim que sempre achei o livro um tédio.
Os números de Brown são ainda mais assombrosos que seus escritos. Eu não consigo entender como um cara que escreve tão mal faz tanto sucesso com seus livros. Ah. Sim! Ele foi o rei da polêmica com o Código...
Alguma dúvida de que o chato diretor Ron Howard quis adaptar o livro pela polêmica e não pela qualidade?
O que temos no filme é uma atuação preguiçosa de Tom Hanks e a gracinha da Audrey Tautou servindo como objeto de adorno. Por outro lado temos os ótimos Ian McKellen, Paul Bettany e Alfred Molina.

Stanley Kubrick foi amaldiçoado pelos autores dos livros que ele adaptou para a telona. Mas Laranja Mecânica é considerada uma das melhores transposições de livro para as telas. Eu, assim como uma amiga minha, só fui pegar o livro depois de ver o filme e, assim como ela, não consegui ler sem tirar o filme da minha cabeça. O resultado é que ambos abandonaram o livro antes de concluírem a leitura. Mas já que eu não posso dizer muita coisa quanto à adaptação em si, pelo menos posso dizer que, se Kubrick modificou o texto original, foi bem vindo.
Outros livros que o genial Kubrick levou para os cinemas foram O Iluminado de Stephen King e Lolita de Nabokov que se converteram em dois grandes filmes. O Iluminado eu nunca li e, provavelmente, nem vou ler, pois a literatura de King nunca me atraiu. Já Lolita é um ótimo livro, melhor que o filme. Não que este seja inferior, muito longe disso, afinal é Kubrick e todos já estamos cansados de saber o que isso significa.

Mas a visão cinematográfica de Kubrick para o romance de Nabokov não é a única. Lolita de Alan Parker é considerado um filme menor perto do de Kubrick. Bem, eu acho um tanto injusto, mas eu sou meio suspeito para falar, visto que eu tenho uma grande admiração pelo Parker. A propósito, acho que ele não é tão reconhecido como deveria.

Existem vários outros filmes baseados em livros como O Advogado do Diabo; o incrível Cidade de Deus (o livro já tinha um quê de cinematográfico com sua linguagem ágil, algo que o diretor Fernando Meirelles soube captar muito bem); o insosso O Homem do Ano (baseado no ótimo O Matador de Patrícia Melo); o simpático O Diabo Veste Prada (cujo livro eu não li, mas o filme vale pela participação deliciosa de Meryl Streep e por Anne Hathaway cada dia mais linda); As Crônicas de Nárnia...

E uma infinidade mais.

Adaptar uma mídia a outra sempre vai ser um assunto polêmico. Sempre tem um fã reclamando porque a adaptação nunca é totalmente fiel ao original, o que é praticamente impossível. Mas tem se tornado cada vez mais comum, especialmente levar quadrinhos para as telas.

E é exatamente dos filmes baseados em quadrinhos que eu pretendo falar num futuro próximo...

Até mais.